Falar de si sem agredir: o que é comunicação autêntica

Tem uma diferença que parece pequena mas que muda tudo numa conversa. A diferença entre falar sobre o que o outro é e falar sobre o que você sente.

Você é insensível fecha. Quando isso acontece, eu me sinto invisível abre.

São duas formas de comunicar algo parecido. Mas uma coloca o outro na defensiva e a outra cria espaço para que ele ouça de verdade. E é exatamente aí que mora o que chamamos de comunicação autêntica: não é dizer tudo o que você pensa do outro. É dizer o que você sente, de onde você vem, o que aquilo significa para você.

Por que é mais fácil falar do outro

Falar sobre o outro é mais rápido. Mais direto. Parece mais honesto porque você está dizendo exatamente o que está na sua cabeça.

O problema é que quando você fala sobre o outro, você está fazendo uma afirmação sobre alguém que só você pode confirmar. E o outro, naturalmente, vai contestar. Vai se defender. Vai trazer os próprios argumentos. E a conversa vira um impasse sobre quem está certo, não sobre o que estava sendo sentido.

Falar sobre você é mais difícil. Exige que você desça um nível, saindo da observação sobre o comportamento do outro e chegando no que aquilo provocou em você. Exige um grau de autoconhecimento que nem todo mundo desenvolveu e uma vulnerabilidade que assusta.

Mas é o que funciona. Porque quando você fala de você, ninguém pode dizer que você está errado. Você é a única autoridade sobre o que você sente.

Autenticidade não é dizer tudo

Existe um mal-entendido comum sobre o que significa ser autêntico. Muita gente acha que autenticidade é transparência total. Que ser você mesmo é dizer exatamente o que pensa, sem filtro, sem consideração pelo contexto ou pela pessoa que está ouvindo.

Não é isso.

Autenticidade é coerência entre o que você sente e o que você expressa. Mas expressão tem forma. E a forma importa tanto quanto o conteúdo.

Você pode ser completamente honesto sobre o que está sentindo e ainda assim escolher as palavras com cuidado. Pode falar uma verdade difícil com gentileza. Pode discordar com respeito. Pode colocar um limite sem atacar.

O que é triste é que muita gente confunde brutalidade com autenticidade. Acha que se está sendo direto ao ponto de machucar, está sendo honesto. Mas honestidade que só existe quando fere não é autenticidade. É falta de habilidade comunicativa disfarçada de coragem.

O que muda quando você fala de você

Quando você começa a falar de você em vez de falar sobre o outro, algo curioso acontece nas suas relações. As conversas ficam mais longas, mas mais produtivas. As pessoas ouvem de um jeito diferente. O outro sente que não está sendo julgado e aí consegue realmente escutar o que você está dizendo.

E às vezes acontece algo ainda mais interessante: o outro amplia o próprio olhar a partir do que você compartilhou. Não necessariamente muda de comportamento. Mas enxerga algo que não tinha enxergado antes. Sai da conversa diferente de como entrou.

Isso só acontece quando as duas vozes estão presentes. Quando as duas pessoas se colocam, com honestidade e com cuidado. Quando a conversa não é sobre quem ganha, mas sobre o que as duas pessoas precisam dizer.

E é precisamente essa a diferença entre uma conversa que conecta e uma que apenas passa.

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