Por que incluir pessoas nas suas metas muda tudo

Tem uma coisa que a maioria das pessoas não coloca quando senta para criar as metas do ano: outras pessoas. As metas ficam todas no singular. Eu vou fazer isso. Eu vou aprender aquilo. Eu vou conquistar tal coisa. Como se tudo dependesse exclusivamente da sua disciplina, da sua vontade, da sua capacidade de se manter no trilho sozinho, semana após semana, por doze meses seguidos.

E é exatamente aí que muitas dessas metas morrem. Não por falta de vontade. Mas porque sustentar algo sozinho, ao longo de meses, exige uma disciplina que vai além da motivação inicial. E motivação inicial é o que mais sobra em janeiro. O que falta é o que te mantém no ritmo quando o entusiasmo passa, quando o sofá está mais confortável do que o compromisso, quando a semana foi pesada e a última coisa que você quer é fazer o que tinha planejado.

O efeito real de ter alguém do outro lado

Existe uma observação simples sobre quem frequenta academia em dupla: vai mais. Não porque a pessoa seja fundamentalmente mais comprometida do que quem vai sozinho. Mas porque tem alguém do outro lado que também espera que você apareça. E isso muda o cálculo na hora que a preguiça bate.

Não é culpa no sentido pesado. É responsabilidade compartilhada. É saber que tem uma pessoa que vai sentir a sua ausência, que vai te mandar mensagem perguntando o que aconteceu. Esse fator social, por menor que pareça, tem um peso real na consistência ao longo do tempo. E consistência é o que separa as metas que ficam na lista de janeiro das que de fato acontecem.

O mesmo vale para qualquer coisa que exige repetição ao longo do tempo. Um podcast que dura quatro anos não dura porque uma pessoa tem disciplina suficiente para sustentar sozinha. Dura porque são duas pessoas que precisam uma da outra para que aconteça. Quando uma está cansada, a outra sustenta. Quando uma quer desistir, o compromisso com a outra segura. Quando a semana foi horrível e você não teria chegado a lugar nenhum sozinho, você aparece porque alguém está te esperando.

Quer ir rápido, vai sozinho. Quer ir longe, vai acompanhado.

Essa frase existe por uma razão. Ela captura algo que a experiência confirma: tem um limite para o que a vontade individual consegue sustentar no longo prazo. E tem lugares que você simplesmente não chega sem alguém junto, não porque você seja fraco, mas porque algumas metas são grandes demais para uma única fonte de energia.

A meta de estar mais presente com as pessoas que você gosta, por exemplo, depende das pessoas que você gosta. Você pode colocar energia nisso, pode fazer a sua parte, mas o resultado vai depender de como as outras pessoas respondem. E quando elas respondem, quando o plano de se ver mais vira de fato encontros, conversas, momentos, é uma das metas que mais recompensam. Não porque foi fácil, mas porque envolveu alguém além de você.

Como incluir pessoas sem complicar

Não precisa ser algo elaborado. É mais simples do que parece e não precisa de nenhuma cerimônia para começar.

Pode ser falar para alguém o que você quer fazer e combinar um check-in de vez em quando. Pode ser convidar uma pessoa para fazer junto o que você faria sozinho. Pode ser criar um ritual a dois, uma celebração mensal onde vocês param para olhar para o que aconteceu naquele mês, o que deu certo, o que não deu, o que foi inesperado e valeu. Com queijo, com vinho, com honestidade sobre como o mês foi de verdade.

O ponto não é terceirizar a responsabilidade pela sua meta. É reconhecer que a gente vai mais longe com companhia. E que algumas das coisas mais importantes que você pode querer para o seu ano não são sobre o que vai conquistar sozinho, são sobre com quem vai estar enquanto a vida acontece.

Ouça o episódio do podcast relacionado a esse post: Fracasso no planejamento sucesso no improviso E142 no Spotify.

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